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Avenida Conde da Boa Vista já viveu dias de formosura

Publicado em 18.08.2005 na categoria Reportagens

Matéria originalmente publicada no JC OnLine

Diariamente, são mais de 20 mil veículos e quase 40 mil pessoas trafegando por aquela que já foi a Rua Formosa. Fincada no coração no Recife, a avenida é uma das principais da cidade. Já sabe qual é? Uma pista: leva o nome do político que ergueu o Teatro de Santa Isabel. Estamos falando da Conde da Boa Vista.

Um das mais movimentadas da capital pernambucana, a avenida nasceu com o bucólico nome de Rua Formosa, homenagem às belas casas que margeavam o Rio Capibaribe. O cenário era, definitivamente, diferente do atual corre-corre da avenida, que pode ser medido pela quantidade de lixo recolhida diariamente no local, uma média de 1,5 tonelada.

O nascimento da rua remonta a um passado distante, quando, por volta de 1840, o então presidente da província de Pernambuco, Francisco do Rego Barros, aterrou o mangue onde hoje existe o bairro da Boa Vista para expandir o Centro da cidade. De espírito empreendedor, Rego Barros encampou várias obras e acabou ganhando o título de Conde da Boa Vista.

“Não tenho idéia de quem foi Conde da Boa Vista. Acho que falta mesmo é limpeza e mais coordenação nos ônibus. Devia ter menos lixo, menos ambulante e mais policiamento, por ser a principal avenida da cidade”, diz Walkíria Souza Oliveira, 38 anos, digitadora, moradora de Tejipió.

Em homenagem ao político, nascido no Cabo de Santo Agostinho, a Rua Formosa se tornou Avenida Conde da Boa Vista. A mudança de nome aconteceu em 1870, quando o ex-governador faleceu em sua casa, na Rua da Aurora, onde há alguns anos funcionou a Secretaria de Segurança Pública.

MUDANÇAS E SACRIFÍCIOS - O formato atual da via, no entanto, é obra do ex-prefeito do Recife Pelópidas da Silveira, que alargou a avenida em 1946. A obra sacrificou alguns imóveis que margeavam a avenida, incluindo a Igreja Anglicana.

“Acho a manutenção meio fraca. Falta limpeza, segurança e tem muito buraco. Deviam fazer a pavimentação e ajeitar esses gelos baianos”, critica Édson Pereira Mendes, 48 anos, despachante.

Larga e estrategicamente localizada, a Conde da Boa Vista hoje abriga grande parte do comércio do Centro da cidade, instituições de ensino, bancos, um shoppping center e restaurantes. Do passado, guarda poucos casarões, como o do Sanatório do Recife.

Sua face hoje lembra a mistura de tipos, caras e cores que costumam habitar o centro das grandes cidades. Tanto que guarda pelo menos um quarteirão considerado um pólo GLS – o espaço entre as Ruas Gervásio Pires e Jiriquiti, de acordo com o Guia Gay elaborado pela ONG Os Defensores.

O CONDE - Francisco do Rego Barros, o Conde da Boa Vista, nasceu em 1802 no Engenho Trapiche, propriedade de sua família no Cabo de Santo Agostinho.

O político governou Pernambuco entre 1837 e 1844, período em que construiu – além da avenida – o Teatro Santa Isabel, a ponte pênsil da Caxangá, a Casa de Detenção do Recife (atual Casa da Cultura) e o edifício da Alfândega, onde hoje funciona o Paço Alfândega.

Depois que deixou o governo de Pernambuco, foi ainda deputado e senador. Posteriormente recebeu o título de Barão, Visconde e depois Conde da Boa Vista.

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