Quantas horas do dia você passa realmente trabalhando?

Publicado em 22.02.2008 na categoria Produtividade

Relógio

Ontem falei sobre o problema de ser remunerado com base no tempo e não no seu desempenho. Para muitos trabalhadores, se você dá o sangue pela empresa ou se passa metade do dia no YouTube e no MSN, o salário ao final do mês será o mesmo.

Pensando nisso, uma questão me veio à cabeça: quantas horas do seu dia você passa realmente trabalhando? Se você for como a maioria das pessoas, terá na ponta da língua a resposta: oito horas.

Mas será que isso é verdade? Dessas oito horas, quantos minutos são gastos fazendo o social com os colegas de trabalho? E checando seu e-mail pessoal ou os feeds? Quantos minutos no banheiro, no Orkut, no MSN ou comendo um lanchinho?

Não tenho dados estatísticos, mas talvez esses minutos que não são usados efetivamente trabalhando podem representar até metade daquelas tradicionais oito horas.

Reduzindo o expediente

Se você pudesse sair assim que o cumprisse as tarefas do dia, deixaria de lado todos esses “gastadores de tempo”? Trabalharia intensamente das 8h às 12h e depois do meio-dia teria o restante do dia totalmente livre para você?

Lembro que quando comecei a estagiar na SX Brasil, lá em 2002, podia ir para casa quando terminasse o trabalho (que era fazer o clipping de alguns jornais). O expediente começava às 6h e ia até às 11h.

O que eu fazia era trabalhar na maior velocidade possível, sem parar para bater-papo nem usar o MSN. Geralmente às 8h30 eu terminava, ia para a academia que tinha ao lado da empresa e voltava para casa para dormir (eu estudava jornalismo à tarde).

Usando recursos de time track estou vendo que o tempo que passamos efetivamente trabalhando é bem menor do que o que pensamos. Se usarmos isso racionalmente a nosso favor, podemos ter muito mais tempo para curtir outras áreas da vida não relacionadas ao trabalho.

Um livro sobre o assunto que estou querendo ler é The 4-hour Workweek (A semana de trabalho de quatro horas). Se alguém tiver lido, favor informar nos comentários se vale a pena :)

Comentários

#11

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    Jony dos Santos Kostetzer

    Está aqui no meu lado o 4-hour workweek, falta ler hehe ;}
    Assim que terminar te mando um feedback (supondo que você ainda não o tenha lido e feito resenha quando eu terminar).

    abraço!

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    Aragao

    Cara, é praticamente 8 horas, agora se contar o tempo que eu passo no msn, telefone, lendo feeds e coisas do gênero levo praticamente o dia todo =S

    http://www.yeoow.blogspot.com

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    Fernanda Lobato

    Eu ia chutar, no máximo, 4 horas por dia (isso que eu sou produtiva). O livro sugere 4 horas por semana O_O?

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    Rogério Brum Hermany

    Eu sempre pensei assim.

    Só que em 6 horas por dia contando com um intervalo para lanche de, no minimo, meia hora e 10min de pausa a cada hora completa.

    Só que é dificil fazer com que isso vire realidade.

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    Rogério Pereira

    Acredito que consigo até trabalhar mais que 6 horas por dia, mesmo porque tenho o msn, orkut e youtube bloqueados aqu na empresa.

    Sou da opião que devemos ter consciência quando temos algo pra fazer e reservar um tempinho para ver outras coisas.

    Outra coisa que tenho feito também, é desligar o msn em momentos que estou produzindo. Assim consigo me concentrar e produzir mais e melhor.

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    Frank Gilber

    Acredito que por mais que tentamos, é dificiu dizer que tralhamos essas oito horas, completinhas, ja que nos distraimos não só com os colegas mas também com msn e orkut. Temos que ser realistas essas oitas horas não são trabalhadas. :)

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    Michel Dutra

    Vamos lá ao 4hww:

    O título é chamativo, mas o próprio Tim admite que não trabalha apenas isso por semana e que não prega a ociosidade.

    Ele começa o livro falando que a maioria dos trabalhadores se esfola de trabalhar a vida inteira em coisas que detesta, visando a aposentadoria, o acúmulo de bens materiais e a ascensão profissional para se tornar o chefe. Ele propõe uma quebra desse plano de vida, distribuindo o que chama de miniaposentadorias regularmente, concentrando-se no acúmulo de experiências em vez de bens e sendo o dono do negócio em vez do chefe.
    Para obter esses objetivos ele conta com 1) terceirização de processos e 2) mobilidade.
    Ele prega a terceirização de qualquer processo que custe menos que metade do que você ganha por hora. Para isso, ele usa funcionários de empresas indianas especializados em assistência pessoal, de forma avulsa, freelance. A Índia é um país com gente muito qualificada, mas que ganha menos do que os colegas americanos em termos absolutos (levando em conta o custo de vida, talvez nem tão menos assim em termos relativos), além disso inglês não costuma ser um problema. O Canadá em menor grau também serve aos objetivos do autor. Como a remuneração pelo trabalho nos EUA é alta, viajar pelo mundo é possível por mais ou menos a mesma coisa que se gastaria para pagar o aluguel.

    O livro tem muita informação, é muito direto, praticamente não há preâmbulos. É mais indicado a empreendedores que vendam um produto online, do que a prestadores de serviço. O plano de vida de Ferriss é difícil de implementar mesmo para os americanos, para os brasileiros o custo do funcionário indiano seria proibitivo para grande parte das pessoas. A grande chave das agências de assistentes pessoas na Índia é que o custo de vida e o de mão-de-obra são significativamente menores que o dos EUA e a qualificação alta, além disso a infra-estrutura é boa. É uma conjugação de fatores difícil de reproduzir numa cidade brasileira. Há quem veja isso como exploração de mão-de-obra e acuse Ferris de antiético.

    Outro pilar do livro é o princípio de Pareto. 80% do lucro vem de 20% dos clientes, ele advoga que você se concentre nesses 20% e deixe o restante meio que em piloto automático. Também aconselha a “demitir” clientes problemáticos que reclamam demais, tratam com grosseria, etc. (desde que eles estejam nos 80%, eu imagino).

    Outro ponto é a Lei de Parkinson, se você tiver 4 horas para terminar um projeto, você vai levar as 4 horas. Se o prazo for 1 hora, você faz do mesmo jeito. As tarefas costumam se expandir até ocupar todo o prazo determinado.

    Esses dois últimos pontos são muito discutíveis.

    Outra questão é o que chama de ignorância seletiva, as pessoas passam muito tempo lendo e assistindo jornais, as notícias são sempre iguais, raramente positivas e são um recorte da realidade de acordo com o que os editores acham importante, segundo ele. Ele garante que só lê as manchetes quando passa por uma banca e é suficiente. Eu reduzi muito o meu consumo de notícias, porque as acho deprimentes, mas só ler manchetes não seria suficiente para mim.

    Há conselhos impraticáveis para muita gente, como checar e-mails duas vezes por dia, no resto do dia deixar uma resposta automática, dizendo os horários que você verifica o e-mail e seu telefone, se for algo urgente.

    Acho o livro pouco aplicável à realidade brasileira no momento. Ainda assim, pensar além do óbvio, outside the box, como eles dizem, é um ótimo exercício. Porém, há muita informação no blog do autor ( http://www.fourhourworkweek.com/blog/ ), de forma que não recomendo a compra do livro.

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    Alexandre Formagio

    Um das minhas metas é trabalhar em 6 horas o que faria em 8, ou seja, tenho mais tempo para curtir a vida e continuo produzindo a mesma quantidade.

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    Thiago Bohn

    Durante um tempo utilizei o Personal Software Process, desenvolvido pelo Watts Humphrey (um dos criadores do CMMI). Neste motodologia as previsões e estimativas são medidas sobre o “tempo líquido” de trabalho, sem contar interrupções.

    Era de fato isso… De 3 a 4 horas sendo efetivamente utilizadas para trabalho.

    Usavamos o software Process Dashboard para isso.

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    Acidio Alan

    Não li o livro, apenas alguns tópicos, o processo é bem inteligente, estudei o mesmo conceito em um processo que estou participando.

    Agora só falta colocar 100% em prática.

    Vlw

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    Renato A A

    O questionamento é totalmente válido, mas para conseguirmos otimizar nosso dia e aproveitar esta vantagem temos que trabalhar por conta própria ou em uma empresa que valorize resultados ao invés de horas.

    Conheço uma agência digital que entrega soluções derivadas de criatividade, aplicação de tecnologia e inovação, e ainda assim cobra sem trégua o cumprimento das “8:48″ diárias que remetem a um modelo fordista, ao meu ver incompatível com o tipo de produto.

    Se o colaborador resolver tudo que era de sua responsabilidade ao final de 6 horas cumpridas no dia, na prática não pode desfrutar desse tempo que “sobrou” sob pena de acumular uma dívida de horas com a empresa.

    O efeito mais nocivo desse formato, IMHO, é que a empresa cria e retém profissionais dispostos a “cumprir horas” e tende a perder aqueles com visão e foco em “gerar resultados”.

    [ ]s!

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Sobre

Walmar Andrade, 26 anos, jornalista com MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital, é diretor executivo da Wenetus Interactive e escreve neste blog sobre:

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