Idéias loucas sobre a objetividade da realidade

Publicado em 11.01.2008 na categoria Produtividade

O texto a seguir é uma tradução livre, longa e viajada do post Subjective Reality Simplified, de Steve Pavlina.

Acho difícil que alguém leia um texto tão grande, complicado e amadoramente traduzido (inclusive sem revisão), mas de qualquer forma está aqui. Se alguém ler e tiver algo a comentar sobre essa idéia, a caixa de comentários está aberta.

Realidade Subjetiva Simplificada

Esta é atualmente talvez a maneira mais simples que eu possa explicar a perspectiva de Realidade Subjetiva - e porque eu a defendo veementemente.

Mas antes, vamos a algumas definições.

Realidade Objetiva: é a perspectiva de que você é o personagem no mundo dos sonhos e o mundo dos sonhos é real e objetivo.

Uma pessoa do tipo Realidade Objetiva normalmente nem pensaria no mundo físico como um sonho. Elas aceitam a noção (socialmente condicionada) de que o mundo dos sonhos é real por si mesmo.

O mundo objetivo é visto como a base do conhecimento. Perceba que podem não existir provas de que é assim que a realidade funcoina; é somente uma enorme assunção não passível de prova. Também não é falsificável.

Solipismo: é a perspectiva de que você é o personagem no sonho e o mundo dos sonhos é também uma projeção sua, algum outro tipo de ilusão, ou simplesmente o desconhecido.

Outras pessoas não são reais da mesma maneira que você é. Sua mente é a base do conhecimento. Mesmo que seja impossível provar que isso esteja errado, porque o solipismo não é objetivamente falsificável, muitos filósofos não gostam do solipismo porque eles o vêem como um filosófico beco sem saída.

Minha tendência é concordar. Se você quer aprender mais sobre solipismo, o verbete da Wikipedia sobre o tema é bastante completo.

Realidade Subjetiva, como eu a descrevo, é a perspectiva de que sua verdadeira identidade é a da pessoa que dorme tendo o sonho. Então você é o container consciente no qual está todo o mundo dos sonhos.

Seu corpo-mente é o seu avatar no mundo dos sonhos, o personagem que lhe dá uma perspectiva de primeira pessoa quando você interage com os conteúdos da sua própria consciência.

Mas esse avatar não é mais você do que qualquer outro personagem no seu mundo dos sonhos. A perspectiva também não é objetivamente falsificável, então não pode ser provada como errada.

De qualquer forma, eu acho essa uma maneira muito boa e poderosa de interagir com o mundo dos sonhos da realidade em múltiplos níveis.

Realidade Objetiva e Realidade Subjetiva contradizem uma a outra?

Depende da sua perspectiva.

Se você começa de uma perspectiva de Realidade Objetiva, então você conclui que elas não podem coexistir. Se a Realidade Objetiva está correta, então a Subjetiva deve ser falsa.

No máximo você é capaz de adotar a mentalidade do solipismo com o contexto mais amplo da Realidade OBjetiva, mas você não pode ter a perspectiva da Realidade Subjetiva no quadro de trabalho da Realidade Objetiva.

Para mim, essa é uma das maiores limitações do modelo da Realidade Objetiva. A Realidade Objetiva rejeita a Subjetiva mas nunca pode a prová-la como errada, então inerentemente ela rejeita uma perspectiva potencialmente válida.

É como dizer “Eu estou certo e você está errado” só porque eu sou eu e você não é. Essa é uma grande falha do modelo de Realidade Objetiva.

Se um modelo não tem um lugar para todas as perspectivas potencialmente válidas, não é um bom modelo. Conseqüentemente, nós não podemos nunca confiar plenamente neste modelo porque ele pode estar completamente errado.

Se nós baseamos nossas decisões neste modelo, nós podemos estar fazendo uma decisão imprecisa depois da outra, mas nunca saberíamos. É muito estreito para nossos propósitos, é como atravessar a vida com um braço amarrado nas costas.

A grande exceção na qual a Realidade OBjetiva nos deixa integrar um pouco com a Subjetiva é durante nossos sonhos noturnos. Desta maneira você poderia dizer que seus sonhos noturnos estão contidos em um escopo maior da Realidade Objetiva, então você ainda é um ser físico dormindo numa cama tendo uma experiência mental interna quando sonha pela noite.

Qualquer um que tenha experimentado um sonho lúcido sabe muito bem como é essa perspectiva. De qualquer forma, perceba que quando você não está completamente lúcido, você é levado a pensar que seu subjetivo mundo dos sonhos é na verdade outro mundo em Realidade Objetiva.

Você cegamente aceita que você é o personagem no sonho, totalmente desavisado de que você na verdade é o sonhador, e que o mundo todo está contido na sua consciência.

Mas obviamente vocÊ está errado, e você nunca vai concluir isso até que você ou acorde ou se torne lúcido dentro do seu sonho.

Então como você sabe que não está fazendo essa mesma assunção errada exatamente agora? Você já esteve lúcido enquanto acordado?

Embora a Realidade Objetiva possa aceitar a natureza subjetiva dos sonhos noturnos, ela falha completamente em não contemplar a perspectiva da Realidade Subjetiva no mundo desperto e físico.

Se você subscrever a esse modelo, ele basicamente compele você a concluir que as pessoas que acreditam na Realidade Subjetiva estão tanto erradas quando desiludidades - que é a natureza das crenças do sistema que rejeita outras perspectivas potencialmente válidas.

Daí… você pode esperar que eu continue recebendo aqueles “você é um porco” e-mails de leitores da Realidade Objetiva, mesmo que nenhum deles tenha tentado provar a Realidade Subjetiva como errada. Novamente, isso seria impossível porque a Realidade Subjetiva não é falsificável.

Agora vamos considerar a Realidade Objetiva a partir da perspectiva da Realidade Subjetiva.

Um modelo inteligente de realidade deveria elvar em conta todas as perspectivas potencialmente válidas, e a Realidade Subjetiva faz isso muito bem.

Ela de maneira alguma rejeita a Realidade Objetiva, simplesmente a coloca em um diferente nível. A Realidade Objetiva é o mundo dos sonhos, o que basicamente é uma simulação sendo executada numa consciência maior, que é vocÊ.

Trocando para uma perspectiva de primeira pessoa e interagindo com a simulação por dentro - o que é assumidamente uma perspectiva muito sedutora a ser adotada - você pode experimentar a perspectiva da Realidade Objetiva no contexto maior da Realidade Subjetiva.

Se você assistiu a Matrix, quando os personagens entram na Matrix e interagem com ela, eles estão no mundo da Realidade Objetiva dentro da simulação.

Deixando de lado a suas capacidades físicas avançadas e a ajuda externa que recebem, seus corpos ainda estão sujeitos às leis da simulação, assim como seu corpo está sujeito às leis desta simulação da Realidade Objetiva.

A partir de uma perspectiva de Realidade Subjetiva, a Realidade Objetiva simplesmente descreve as propriedades do mundo dos sonhos, enquando a Realidade Subjetiva é a perspectiva que sabe que isso é apenas um sonho.

Essas duas perspectivas podem coexistir sem contradizer uma a outra. Isso se parece muito com jogar video game. Você pode identificar você mesmo como o jogador fora da simulação ou como um personagem dentro dela. Você também pode ser a pessoa que programou o jogo. Todas essas perspectivas são válidas e não contradizem uma aoutra.

Nem a Realidade Objetiva nem a Subjetiva são falsificáveis, então você não pode provar que elas estão erradas de uma maneira objetiva.

De qualquer forma, na minha opinião, a experiência da Realidade Subjetiva a partir de dentro e a maneira como ela lida com a Realidade Objetiva me parece muito mais lógica do que a rejeição da Realidade Subjetiva por parte da Objetiva.

A Realidade Subjetiva também permite a potencialmente válida perspectiva do solipismo. Conseqüentemente, eu uso o contexto maior da Realidade Subjetiva para ser mais preciso.

Você concordaria que isso faz sentido para um modelo razoável de realidade que pode compreender todos os potencialmente válidos sub-modelos que não são falsificáveis?

Depois de tudo, se não pudermos provar ao contrário qualquer coisa, então nosso modelo deveria compreender a possibilidade de que é verdadeiro (sem assumir cegamente que é verdadeiro). Por outro lado, nunca podemos confiar no nosso modelo, assim como nunca podemos confiar na Realidade Objetiva.

Então é por isso que eu defendo com força a Realidade Subjetiva. Eu assumo que não é um modelo fácil de entender ou de adotar se você está imerso na perspectiva da Realidade Objetiva.

Mas se você veio até aqui, eu acho que você vai achar isso decisivo. Você não perde nenhuma das forças do modelo da Realidade OBjetiva porque ela é totalmente contida na Realidade Subjetiva, mas você acrescenta um outro container que permite a você se integrar e aceitar muitas outras perspectivas.

Claro que se você fizer a mudança para a Realidade Subjetiva, boa sorte ao explicá-la para os demais viciados na Realidade Objetiva :)

Comentários

#1

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    tonny

    Eu li, e me rendeu alguns instantes de boca aberta :)

    A tradução parece boa.

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Sobre

Walmar Andrade, 26 anos, jornalista com MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital, é diretor executivo da Wenetus Interactive e escreve neste blog sobre:

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