Usabilidade vai muito além de Jakob Nielsen
Publicado em 18.04.2006 na categoria Usabilidade
Quando falamos de usabilidade, Jakob Nielsen é o cara. Foi ele - com aquele estilo polêmico - quem mais ajudou a difundir a cultura do design centrado no usuário com seus livros e seus Alertboxes no Useit. A importância de Nielsen é tanta que muitos o tratam como sinônimo de usabilidade, mas é preciso saber que existem outros profissionais que também merecem ser conhecidos e respeitados.
Sem nem sair dos corredores da Nielsen Norman Group, achamos o Donald Norman, sócio de Nielsen, que possui uma visão muito mais cotidiana da usabilidade. Enquanto Nielsen restringe-se muito a falar de usabilidade para websites e sistemas de informação, o Norman procura levar a usabilidade para o dia-a-dia das pessoas, no mundo físico.
Do outro lado do ringue, encontra-se Jared Spool, que talvez seja o maior contraponto do Nielsen. Enquanto o Jakob baseia sua análises em listas de faça isso e não faça aquilo, Jared Spool é um verdadeiro crítico dos padrões, sempre desconfiando se as regras ditadas pelo Nielsen praticamente como verdade absoluta e suprema são válidas ou não. Ele já questionou publicamente se é fato que o usuário não aceita esperar mais que 30 segundos pela resposta de um sistema, se o visitante realmente tem que chegar ao objetivo com no máximo três cliques dentro de um site, se os links tem mesmo que ser azuis e sublinhados, etc.
Spool, com uma fina ironia, declara-se o homem que não sabe nada, em clara alusão ao maior guru da usabilidade. A sua empresa - User Interface Engineering - costuma até fazer pesquisas para verificar se as listas de dos and don´ts do Nielsen realmente devem ser seguidas em todos os projetos web.
Deixando o ying yang de Nielsen e Spool um pouco de lado, temos outros profissionais que merecem destaque. Steve Krug é muito conhecido por conta do livro Não me Faça Pensar e sua filosofia assemelha-se um pouco à do Nielsen quando ele prega a simplicidade como objetivo maior para sites que procuram uma boa usabilidade.
Alan Cooper, da Cooper.com, é outro que merece ser estudado por conta da metodologia patenteada por sua empresa com o nome de Goal Directed. Segundo ele, ninguém deve desenvolver absolutamente nada na Cooper.com se não tiver claramente definido por escrito quais são os objetivos do público com o produto a ser desenvolvido. A regra é se perguntar por que motivo o usuário teria que usar aquele produto.
Por fim, existe o não muito conhecido Tom Brinck, da Diamond Bullet. Brinck possui o SimplyTom, que seria o seu Useit, todavia mais voltado para dicas de como trazer para a prática do dia-a-dia as teorias sobre usabilidade. Bastante útil para sair um pouco do plano das idéias e colocar tudo em prática.
E no Brasil?
Do Brasil, ainda não conheço muitos profissionais que pensem usabilidade de forma a trazer novas contribuições para a ciência. Geralmente, as pessoas que estudam mais usabilidade aqui nas terras de Patropi acabam reproduzindo muito de Nielsen, com um certo mérito por tentar adaptar as regras à realidade brasileira.
O Frederick van Amstel, do Usabilidoido, talvez seja o que mais se destaca na área. O seu blog no início era apenas mais um reprodutor de Nielsen e outros autores gringos, mas com o tempo ele começou a tecer opiniões e filosofias próprias, a de que estética vem antes de usabilidade e a que cruza semiótica com arquitetura de informação.
O Felipe Memória trouxe boas novidades a partir de sua pesquisa sobre navegação estrutural (breadcrumb trails) e ficou bastante conhecido ao publicar o livro Design para a Internet: Projetando a Experiência Perfeita. Já comentei que gosto bastante do livro, mas é difícil falar que ele traz muitos aspectos inovadores.
No MBA que estou fazendo, conheci a Cláudia Obata, da Wunderman. Obata havia fundado em 2003 a Alure, empresa especializada em usabilidade e arquitetura de informação para projetos on-line que acabou sendo incorporada pela Wunderman.
E você leitor, conhece algum outro profissional brasileiro ou gringo que mereçamos conhecer? Ajude-nos a todos postando nomes e links nos comentários.





E o Luli Radfareh (não sei se é assim que se escreve)? Cheguei a ver algumas coisas dele sobre usabilidade há alguns anos, mas nunca mais vi nada a respeito. Só o livro A Arte da Guerra pra Quem Roubou o Queijo do Pai Rico, que não tem nada a ver com usabilidade. hehehe
Também acho que são poucos nacionais.
Quando esse pessoal vai sair da toca?
Ei, Walmar, valeu a menção!
É interessante citar também pessoal da Academia que, embora não sejam muito conhecidos no mercado brasileiro, se esforçam por formar bons profissionais e avançar o conhecimento científico.
Clarisse de Souza, do depto de Informática da PUC-Rio, iniciou uma escola de Interação Humano-Computador chamada Engenharia Semiótica e publicou um livro ano passado pela MIT Press.
Ana Maria de Moraes, do depto de Design da PUC-Rio, é pioneira na Ergonomia e orienta muitos projetos na área de Usabilidade de Interfaces.
Cecília Baranauskas, do depto de Informática da Unicamp, também trabalha com Semiótica, mas numa linha ligeiramente diferente da Engenharia Semiótica. Publicou um livro que é considerado a melhor referência em português sobre IHC até hoje.
Ainda vale citar o nome de Irapuan Martinez que, apesar de não ser especializado em Usabilidade nem gostar de aparecer em público, faz trabalho árduo nas listas de email há muitos anos.
Tem tb o pessoal da Sirius (http://www.sirius.com.br) que criou uma divisão só pra Usabilidade (http://www.usabilidadebr.com.br), mas não sei o nome dos profissionais!
Tem mais um que encontrei recentemente: http://blogdeusabilidade.blogspot.com
Mais um: http://www.experienciaperfeita.org/
Achei uma referência bem interessante em: http://www.edsonrufino.com.br