Avaliação heurística: mais barata e menos precisa
Publicado em 4.05.2006 na categoria Usabilidade
Embora seja provado e comprovado que usabilidade é um dos pontos cruciais para o sucesso de um projeto web, é extremamente difícil convencer clientes a arcar com cerca de R$ 20 mil para contratar uma consultoria e realizar testes de usabilidade de maneira científica e profissional. Não é por isso, entretanto, que a usabilidade do seu projeto não deve ser verificada. Existem alternativas mais baratas e a avaliação heurística é um exemplo delas.
Diferente do teste de usabilidade, no qual usuários reais são recrutados de acordo com o perfil do público-alvo do projeto, na avaliação heurística os consultores de usabilidade é que se colocam no lugar dos usuários.
O número de avaliadores varia de acordo com o projeto, mas uma pesquisa mostrada em 1993 por Jakob Nielsen em Usability Enginnering mostra que, a partir de cinco avaliadores, o número de erros encontrados não passa muito dos 75%. Ou seja, é quase um ponto de saturação, então cinco avaliadores é tido como um número ideal para se trabalhar. O número exato para o seu projeto depende da relação custo-benefício.
É importante deixar o avaliador a par dos objetivos e tarefas do projeto. Informado dos objetivos, o avaliador vai verifica os problemas que violam princípios consagrados de usabilidade, como as dez heurísticas de Nielsen:
- O sistema deve sempre manter os usuários informados a respeito do que está acontecendo por meio de feedback apropriado em tempo razoável;
- O sistema deve falar a linguagem do usuário, utilizando nomenclaturas familiares ao invés de termos técnicos e sistêmicos;
- Controle e liberdade do usuário: em caso de erros ou acesso equivocado, o usuário pode desfazer ou refazer operações;
- Consistências e padrões;
- Prevenir a ocorrência de erros;
- Reconhecimento ao invés de memorização: as instruções de uso do sistema devem estar visíveis ou facilmente acessíveis quando necessários;
- Flexibilidade e eficiência de uso: deve ser permitido ao usuário personalizar ou programar ações freqüentes;
- Os textos devem conter informações relevantes e necessárias (informação irrelevante diminui a visibilidade da informação relevante);
- Mensagens de erro devem ser claras, sem códigos e sugerindo solução;
- Informações de ajuda e documentação deve ser fácil de pesquisar.
No final, os avaliadores geram uma lista de problemas, classificadas por grau de relevância, e de preferência com sugestões de como solucionar os erros. O resultado, logicamente, vai depender do conhecimento e da experiência dos avaliadores. Como cada avaliação dura em média três horas, dependendo da hora cobrada pelo avaliador, o processo sai bem mais em conta que um teste de usabilidade.
Pesquisas mostram que avaliações heurísticas detectam de 75% a 80% dos problemas de usabilidade em websites e sistemas. O problema é que os 20% restantes são geralmente os pontos mais críticos, somente revelados quando usuários reais testam o projeto através da execução de tarefas pré-determinadas. Isso é muito mais confiável do que colocar o especialista no lugar do usuário. Pense no caso de um site infantil, por exemplo, é difícil o avaliador usar o raciocínio de uma criança ao navegar pelo site.
Na verdade, se os desenvolvedores tivesse maior conhecimento no assunto e se colocassem no lugar do público-alvo já desde o início do projeto, adotando na prática a filosofia do design centrado no usuário, as avaliações heurísticas feitas por especialistas detectariam bem menos erros. Aparentemente, no entanto, isso é uma realidade ainda distante no mercado web.





Saudações!
Excelente post.
Tem as fontes das pesquisas que se refere? principalmente sobre as pesquisas que comprovam a eficácia dos projetos web baseados em estudos de usabilidade prévio.