Como comecei a trabalhar com internet, há 12 anos

Publicado em 30.04.2007 na categoria Mercado

A edição número nove do PodCrer, podcast gravado por Michel Lent Schwartzman e Vicente Tardin, abriu uma seção nostalgia falando como seus autores e convidados começaram com internet. O podcast gerou alguns posts no estilo “como comecei com internet” e decidi entrar na roda.

Eu não lembro bem o ano, mas sei que meu primeiro computador foi um Solution 16 Bits, propagado como “o primeiro computador a usar disquetes” (aquele disquete grandão, claro). Era só um terminal de telas verdes com fundo preto, no qual a única coisa que eu fazia era tentar programar em Basic, do alto dos meus 11 anos. Daí vocês tiram a minha alegria quando, alguns anos depois, ganhei um potente 386 com um veloz modem de 2400 BPS.

Começava aí a minha aventura com BBS. É difícil explicar o que é um BBS para quem não viveu essa época, mas era algo como pequenas redes de usuários que surgiram antes da internet.

Naveguei durante algum tempo em alguns e, depois de estourar a conta de telefone da minha casa, acabei criando uma própria, o node 2 da Wolf BBS. Que depois virou Chaos BBS. Nesse esquema, você era a internet. As pessoas discavam para o telefone da sua casa (das 22h às 6h, que era o horário que eu ligava “o servidor”) e navegavam no seu BBS, lendo mensagens, jogando, batendo-papo (só comigo, no caso) etc.

A partir de BBS eu fiz meus primeiros acessos à internet. Minha mãe é professora da Universidade Federal de Pernambuco e por isso tinha acesso à internet com um login da universidade, através de algum protocolo que não me lembro o nome, mas que era só texto também.

Quando a BBS que eu assinava, a Net-PE, passou a oferecer acesso à internet foi uma maravilha. Eu me conectei e o Netscape abriu direto no site da Net-PE. Como eu só tinha 60 minutos por dia, passei alguns dias só vasculhando o site da Net-PE, jogando, lendo mensagens… Eu não percebia que era só digitar www e um endereço qualquer que podia visitar qualquer site do mundo :P

Acho que pelo terceiro dia foi que ouvi no Globo Esporte o Leo Batista falando do site da Rede Globo. “Agá tê tê pê, dois pontos, duas barras, dablio dablio dablio…”. Decidi testar e acabei, com meus 13 anos e 2400 acronym title=”Bit per second”>BPS na bagagem, descobrindo como se navegava na web.

Meu primeiro site

A Net-PE dava aos seus assinantes o espaço para uma página pessoal. O Netscape na época tinha um editor para construção de páginas. Eu era grande fã de quadrinhos. Juntei as três coisas e criei, no final de 1995, o fanzine Aloha!, um site sobre quadrinhos.

Depois, ainda usando o Netscape editor, fiz um site para o Sport Club do Recife e outro para o Campeonato Brasileiro de 1996, no qual eu atualizava todas as tabelas. Esse site era um sucesso. Pelo menos na minha cabeça, já que eu não usava nenhuma ferramenta para medir nada. Mas eu achava que era algo útil e que “dezenas” de pessoas visitavam aquilo para saber os resultados dos jogos e classificações dos times.

Seguindo na escala evolucionária, passei a usar o Microsoft FrontPage e a descobrir novas maneiras de construir sites. Fazia páginas para muitos amigos e talvez eu até fosse rico hoje se não tivesse descobrido algo: IRC. Ou melhor, uma vizinha minha que usava IRC, o que consumiu uns seis meses de conversa, outros seis de namoro e mais alguns tentando esquecer tudo.

A profissionalização

Ao chegar próximo do vestibular, optei pela faculdade de comunicação por entender que internet é uma rede de pessoas, e não de computadores. Logo nos primeiros períodos, entrei para estagiar na SX Brasil Comunicação Digital, fazendo clipping para o InterJornal. Me dei tão bem com conteúdo para web que nos primeiros dias eu conseguia cadastrar umas 90 notícias, enquanto as pessoas que treinavam comigo faziam entre 10 e 20.

Passei um semestre na SX e depois fui trabalhar como repórter nos dois maiores portais de Pernambuco, o Pernambuco.com (vinculado ao Diario de Pernambuco) e, um ano depois, o JC OnLine (do Jornal do Commercio). Em paralelo, ia fazendo alguns freelas em desenvolvimento de sites.

Acabei ficando muito restrito a conteúdo na web. Somente quando saí do JC OnLine e fui contratado no setor de design da SX Brasil é que passei a estudar mais a fundo assuntos como usabilidade, acessibilidade, gerenciamento de projetos etc. Três coisas ajudaram muito: os livros, os blogs e o MBA.

Comentários

#4

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    Matt

    Esse tema é incrível, disperta a curiosidade e velhas lembranças.

    Este seu post ficou muito bom, tão bom que se for re-escrito com o triplo de palavras seria uma boa leitura :P

    (com re-escrito, eu quis dizer com mais detalhes)
    []s

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    Helder

    No meu caso, meu primeiro computador já era um amd k6 2 550mhz, e na primeira semana já tinah interessado pelo front page.

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    renato cruz

    Ambos tivemos um modem de 2 e quatrolentos!
    A minha alegria era entrar no chat da UOL…

    Abraços!

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Sobre

Walmar Andrade, 26 anos, jornalista com MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital, é diretor executivo da Wenetus Interactive e escreve neste blog sobre:

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