Cinco princípios para um bom design

Publicado em 11.03.2007 na categoria Design

O designer americano Joshua Porter publicou recentemente no Bokardo uma lista com cinco princípios de design que todos deveriam seguir, mas que infelizmente é difícil de encontrar em 90% dos endereços que visitamos cotidianamente.

Eis os cinco pontos destacados por Porter:

  • A tecnologia serve ao homem
  • Design não é arte
  • A experiência pertence ao usuário
  • O bom design é invisível
  • Simplicidade é a última palavra em sofisticação

Como se vê, não há nenhuma novidade ou nada que não tenha sido dito anteriormente. A grande questão é: por quê ainda é tão difícil encontrar projetos que possam ser classificados como ótimos na web?

O que Porter argumenta é que se uma pessoa não consegue usar determinada interface, a culpa é da interface que não é simples o suficiente, e não do usuário.

Ele fala ainda que arte é uma expressão subjetiva, enquanto design é projeto, é algo para ser usado. O ponto é que o produto é feito para ser utilizado, e não para ser admirado, como uma obra de arte.

O que leva a um termo bastante usado lá fora, mas que na visão dele é equivocado: o design da experiência do usuário. Ora, se o designer cria a interface, a interação, porém a experiência pertence ao usuário.

Voltando à questão do design “artístico”, o quarto princípio fala que o ótimo design é invisível. Aqui parte-se do princípio que quando algo funciona bem, como um Gmail, por exemplo, nem reparamos no design do produto.

Quando algo dá errado, entretanto, fica bastante óbvio para os usuários como o design é ruim e está prejudicando a conclusão de uma tarefa.

Simplicidade

Se design não é algo para ser admirado e deve passar o mais desapercebido possível, pode-se concluir que simplicidade é a última palavra em sofisticação.

Aqui chegamos de volta ao que o Nielsen falava lá no começo da web, a prática da simplicidade. Esqueçam as aberturas em Flash, o uso de Ajax para mostrar um texto, músicas, etc. Corte tudo o que for desnecessário, inclusive no texto. Assim os produtos terão uma significativa melhora como um todo.

Não defendo esse ponto de vista radicalmente. Na minha opinião, estética agrega valor na medida em que nós trabalhamos melhor em um ambiente em que nos sentimos confortável. Todavia há claramente, na grande maioria dos sites, um desequilíbrio entre estética e usabilidade. E isso é algo que precisa ser revisto urgentemente.

Comentários

#12

  1. Imagem do autor do comentário
    Debora

    Claro que a simplicidade deveria guiar todos os trabalhos. Inclusive, todos os clientes quando nos passam o briefing dizem “eu quero algo simples”. Hahahah brincadeira.
    A estética hoje ocupa um lugar de destaque, não dá para negar e apenas entregar um trabalho “funcional”. Conheço muitas pessoas que não usam Gmail porque tem um layout muito “simples”. Como já dizia o poeta, beleza é fundamental - e eu acrescento - mas não a qualquer custo!!

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    Lucas Castro

    Design muito bonito enjoa. Prefiro os designs invisíveis…

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    Thiago Oliveira

    Creio que uma boa usabilidade do produto ligado a estética do mesmo, será mais funcional que o DESIGN INVISIVÈL. Nós Designer estudamos e trabalhamos para desenvolvermos projetos de impacto visual e funcional, por isso discordo de Joshua Porter.

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    Guilherme Nascimento Valadares

    Hmmm… parece que um certo blog chamado FatorW segue os tais 5 princípios do bom design…

  5. Imagem do autor do comentário
    Diego Homem

    Eu discordo do Thiago Oliveira, Nós Designers estudamos e trabalhamos para desenvolvermos projetos de COMUNICAÇÃO visual, se ela é para causar impacto ou não isso é uma questão de objetivo do projeto. Logo se o Design de um site será “invisível” ou não também é questão de premissas de projeto e fatores restritivos. Mas ainda concordo que usabilidade e estética quando bem casados possuem um ótimo facilitador na comunicação.

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    Eduardo Marques

    Acho que tudo é uma questão de projeto. O site das Havaianas por exemplo. Na minha opinião, é para causar um impacto visual daqueles, e só. Não foi pensado para ter uma interface amigável ou uma usabilidade ótima. Foi pensado para impactar, ou seja, o visual é a prioridade. Já o Gmail - como todos os serviços do Google e como muitos disseram - foi criado pensando em usabilidade e interação com o usuário. Ou seja, o “visual” não era prioridade.

    Tudo é uma questão de projeto e de prioridade.

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    Drung

    Ao menos no mundo dos sistemas de informação, o design deveria ser o reflexo do suposto melhor caminho entre o usuário e seu objetivo. E eu realmente disse “deveria”, porque a maioria dos “desenvolvedores” não têm a mínima idéia do que eu quis dizer nesta frase.

    Gostei do artigo, []’s

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    JamW - Reynaldo Barros Jr

    Concordo quase 100% com Joshua Porter, discordo apenas na questão do design bom é invisível.
    O bom design é aquele que cumpre com o objetivo do projeto, seja ele qual for, sem agredir os fundamentos da web.
    É preciso um equilíbrio harmônico entre o design, função e tecnologia usada. Todos estes elementos devem se convergir, em um ponto
    no qual todas as regulamentações estabelecidas para o ambiente web sejam atendidas.

  9. Imagem do autor do comentário
    Michel Ferreira

    Sou do ponto de vista, bonito e profissional. O design tem que ter conceito e saber o pq de usar determinadas cores e animações, o design tem que ser simples mais ao mesmo tempo super profissional, se todos os designers pensassem nisso…

    Michel Ferreira
    http://www.michelferreira.com

  10. Imagem do autor do comentário
    Henrique Patrício

    Carta aberta a Joshua Porter:

    Olá meu amigo Porter,

    Li com atenção a sua opinião no bokardo.com, e deixe-me dizer-lhe que, embora concorde consigo em alguns pontos, há outros que discordo.

    Ora bem, e começando pelo início, “A tecnologia serve ao Homem”.
    Pois claro, estamos de acordo.
    O ponto em que não concordo é o seguinte:
    Nunca vi ninguém culpar-se a si próprio pelos erros de software ou hardware em qualquer parte, e/ou em qualquer acção como menciona no seu texto! Se um computador avaria a meio de um trabalho importantíssimo, quem o estava a usar nesse momento (utilizador) não vai desancar nele próprio e chamar-se de burro e outros nomes. Claro que não vai julgar que foi por ter feito 3 cliques no rato que o computador reiniciou. Não. A primeira coisa que essa pessoa irá fazer é, dar um belo pontapé no computador e praguejar logo de seguida com quem quer que o tenha inventado! Não temos dúvidas nisso. É normalíssimo que, quando junto de algum entendido de informática, algumas pessoas por possuírem menos conhecimentos e procurando ajuda na resolução de pequenos problemas, se auto-insultem como sugere. Mas é uma situação pontual, devida ao facto de se sentirem inferiores (em termos de conhecimento/formação) em relação a pessoa ao seu lado.
    É portanto, falta de formação, ou se preferir, falta de adaptabilidade do utilizador em relação ao objecto. Podemos falar de computadores, carros, telemóveis ou até torradeiras. É sempre o mesmo problema.
    Poder-lhe-ia dar o exemplo do meu professor da cadeira de Teoria do Design, que muito lutou para conseguir ter a torradeira que desejava. Um modelo antigo pois aquele que possuía (mais moderno) não funcionava bem. Também aqui vemos que o problema é de adaptação do utilizador ao objecto. Torradeiras com temporizador foram criadas para facilitarem o acto de fazer torradas. No entanto, o erro que está nessa tecnologia empregue é a falta de previsibilidade de uma série de factores que vão influenciar o facto do pão em (por exemplo) 30 segundos, ficar queimado, bem torrado, ou completamente normal/não torrado. Para a torradeira ser precisa e hipoteticamente perfeita, teria de conseguir medir todos esses factores como a temperatura ambiente, a humidade relativa do ar, a temperatura do pão, a composição e humidade do mesmo (se é que não me esqueci de nenhum). Aí, já é o utilizador que tem de se adaptar a estas falhas da torradeira e conseguir que ela funcione bem, apenas com os comandos e variáveis que a tecnologia empregue lhe oferece.
    Podia dar-lhe muitos mais exemplos.
    Mas voltando ao início, eu também nunca vi tecnologia que não servisse ao Homem. É para isso que é criada. Se há erros? Claro. É para isso que há evolução.
    Nem o Homem é perfeito. É mais uma máquina que se vai aperfeiçoando, aliás, adaptando, às exigências do meio social, cultural, ambiental, etc., e vai-se adaptando também, à tecnologia que ele próprio cria, para melhor se adaptar a essas exigências. A tecnologia serve o Homem, para isso foi criada, sempre serviu, e sempre servirá. Criada pelo homem para lhe facilitar a vida na terra, obriga também o Homem a moldar-se à própria tecnologia, que a vai moldando a si próprio, sempre numa eterna relação simbiótica.
    Podemos conferir simbiose:
    “Simbiose é uma relação mutuamente vantajosa entre dois ou mais organismos vivos de espécies diferentes. Na relação simbiótica, os organismos agem activamente (elemento que distingue “simbiose” de “comensalismo”) para proveito em conjunto mútuo, o que pode acarretar em especializações funcionais de cada espécie envolvida. A Simbiose também é chamada de protocooperação.”
    Fonte wikipedia

    No entanto, no segundo ponto, em que o meu amigo define Design como uma não arte já me deixa um pouco de pé atrás.

    Comecemos por definir design através da etimologia da palavra:

    Design: from Anglo-French & Medieval Latin; Anglo-French designer to designate (pt: designar), from Medieval Latin designare, from Latin, to mark out, from de- + signare to mark.
    Designar: apontar; assinalar; significar; nomear;
    Como substantivo pode ser: a mental project or scheme in which means to an end are laid down.
    Ou seja, um projecto ou esquema mental, no qual, os meios para atingir um fim são estabelecidos.
    Fonte: http://www.m-w.com/dictionary

    Então porque toda a gente confunde design com desenhar?
    E então o que é o design?
    Bem, para mim, as palavras de Charles Eames, já em 1969, davam-nos uma muito boa ideia de design, que se poderá aplicar a qualquer um dos inúmeros “designs” de hoje em dia.
    Dizia ele:
    “ Design is a plan for arranging elements in such a way as to accomplish a particular purpose.”
    “Design é uma maneira de organizar elementos, de tal forma que permita realizar um determinado objectivo.”

    E também ele deu uma brilhante resposta, a minha preferida, quando lhe perguntavam:
    Quais são as fronteiras do design?
    Ao que ele respondeu:
    Quais são as fronteiras dos problemas?

    Já Ineke Schwarz diria que o design significa, dar forma ao mundo construído pelo Homem.

    Até aqui tudo bem. Nada do que foi descrito em cima, vai contra o que o meu amigo diz, apenas o sustenta.
    Mas voltemo-nos agora para a arte.
    O que é a arte? (Aí está uma pergunta tão temida por tantos)

    Será arte as pinturas no Louvre?
    Será arte as gravuras rupestres?
    Serão arte as obras de um artesão?
    Será arte a arte do pasteleiro?
    E porque se diz “a arte do pasteleiro”?

    Que significa esta palavra, tão curta mas que tanto significado parece ter?
    Ora bem, o Dicionário da Porto Editora define-o assim:

    Arte, s.f. conjunto de processos pelos quais se atinge a realização do Belo; ofício; profissão; modo; forma; habilidade; astúcia.

    Quer dizer… talvez o tenha deixado mais confuso, certo?
    Será que houve erro na impressão do dicionário?
    Então, arte é o processo, ou conjunto de processos, para se atingir o Belo (também esta pequena palavra nos traria muito mais que conversar), mas no entanto também a equipara com ofício, profissão, etc.

    Então será arte a cirurgia plástica?
    Será arte a do varredor de ruas e limpa sarjetas?
    Serão arte as fintas do Cristiano Ronaldo?
    Será arte a do soldado contratado de metralhadora em punho?

    Porque não se todos eles procuram o Belo (seja qual for a definição de Belo que cada um deles julga)? Todos eles procuram, como dizia Eames, organizar/designar/apontar elementos de modo a atingir um objectivo.
    Então Eames não falaria de design apenas, mas sim da arte!

    E a wikipedia define-a deste modo:
    Arte (Latim ars, significando técnica e/ou habilidade) normalmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética (beleza, equilíbrio, harmonia, revolta) por parte do ser, feita com a intenção de estimular os sentidos humanos, bem como transmitir emoções e/ou idéias.

    Mais confuso ainda?

    Fácil.

    Meu amigo Porter, a arte não se define por um conjunto de palavras colocadas por alguém num dicionário, livro, ou artigo de opinião. Arte é fruto de um processo sócio-cultural e depende do momento histórico em questão, variando bastante ao longo do tempo. Longe vai o tempo em que os “artistas” seriam os pintores e escultores.
    Arte é agora também dança, é teatro, é música, tanto quanto é, arquitectura e design entre muitos outros.

    Não entendo as suas palavras quando me diz que, “Pouco interessa o que os observadores fazem, a sua actividade não é um requisito, apenas a sua apreciação. O exercício da Arte não os exige. É uma actividade necessária para o artista, e só para o artista.”

    Então mas se depois me fala num tal de Miguel Ângelo… deixa-me confuso…
    Quem foi esse senhor?
    Então esse senhor criava as obras por espontânea e livre vontade sem se importar com a actividade dos observadores?
    Sobre o Juízo Final desse mesmo autor fica a saber que o trabalho fora encomendado pelo Papa Clemente VII, mas só com a morte deste teve início, já no pontificado de Paulo III, que ratificou o contracto.
    Pois se a obra foi encomendada, não teria Michelangelo Buonarroti que haver em conta, o local e a actividade dos observadores da mesma?
    Só se, o meu amigo quiser descategorizar o Juízo Final do título de obra-prima de arte!

    Não nos percamos pois.
    Design é arte.
    Como arte que é, tem um meio, um ou variados suportes, para atingir um fim.
    O fim do Design de Comunicação (web design, design gráfico,etc) é um, o do Design de Equipamento é outro que por si, difere do da arquitectura e ainda mais do objectivo da pintura.
    A arte do design será, em sentido mais lato, facilitar a vida ao Homem na terra fornecendo-o de utensílios que lhe permitam utilizar da tecnologia existente, facilitando a tal simbiose homem/máquina.

    No terceiro ponto do seu artigo, estamos a meu ver, de acordo.
    A experiência pertence sempre ao utilizador e é ele que determina se o objecto criado, reflecte todas as suas necessidades ou não. Ao designer cabe o papel de, recolher essas experiências e analisá-las de modo a permitir ao utilizador, novas e melhores experiências.

    Quanto ao bom design ser invisível já não é bem assim.
    Estamos a falar de que design? Qual deles?
    Como web designer provavelmente falará desse ramo, mas no texto menciona a colher, a qual podemos atribuir ao design de equipamento.
    Mas pergunto:
    Quem foi o designer que inventou a colher?
    Bem, voltávamos atrás à antiga discussão entre artista e artesão.
    Deixemos essa para depois.

    A meu ver, há design invisível, e design visível.
    A colher, é design invisível. Se for visível, algo de estranho, fora do normal, se passa. Mas também não podemos dizer que seja um bom ou mau design. Aliás, basta percorrer um catálogo de fabricantes de talheres, ou de outro tipo de objectos de cozinha (da Bodum por exemplo), para perceber, que só pela estética utilizada, são peças que “saltam à vista” e apetecem comprar. E digo-lhe desde já, que funcionam bem.
    Bom design também é visível.
    Há que ter em atenção é a funcionalidade nunca se perder em detrimento da estética, principalmente se o objectivo for comunicar algo, ou facilitar uma acção.

    Eu diria que uma função bem concebida deve ser transparente (invisível), mas de novo, design e arte, a função e a forma, estão interligados. Apercebo-me de que se refere ao web design ou design em imagem, mas uma vez que o meu amigo pensa sobre a concepção dos produtos com interfaces virtuais embutidas (por exemplo o ipod), então deve ter em conta aspectos de design industrial. As pessoas gostam do ipod, em parte porque é esteticamente agradável.

    Quanto à simplicidade ser a maior sofisticação, também já não acho que seja assim.
    A simplicidade é relativa e maleável.
    O design não deve ser reduzido ao mínimo denominador comum, mas ser maleável nas interacções que crescem em sofisticação, como cresce a tecnologia e a nossa compreensão do mundo que nos rodeia.
    O Design não pode ser redutor ao ponto que, o Homem não possa tirar completamente partido do objecto de design em toda a sua extensão.

    Para mim, afinal, o bom design precisa de dois pontos apenas:

    - Facilitar a simbiose homem/tecnologia/mundo
    - Criar emoções (tal qual uma pintura de Van Gogh) não esquecendo o fim a que se propõe.

    Um abraço do seu amigo,

    Henrique Patrício

  11. Imagem do autor do comentário
    Karen

    Gente, tava procurando um bom design ( nao entendo nada)p fazer convites p meu casamento e abri algumas paginas, inclusive esta…
    achei um maravilhoso..
    Olhem o site:
    http://www.alegustavo.com
    e ele ainda faz as fotos….
    Só tenho problems pq moro no nordeste, e ele nao deve ser daqui….
    mas vou mandar um e mail..
    mas talvez alguem aí se interesse!!!

    valeu, vai aí minha contribuição!!!

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Walmar Andrade, 26 anos, jornalista com MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital, é diretor executivo da Wenetus Interactive e escreve neste blog sobre:

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