Renato Gaúcho e o Paradoxo Stockdale

Publicado em 4.07.2008 na categoria Empreendedorismo

Renato Gaúcho

Não sei qual o percentual dos leitores do Fator W que acompanha futebol, mas todos devem ter pelo menos ouvido falar da perda do título da Libertadores do Fluminense para a LDU do Equador, nos pênaltis, depois de reverter uma desvantagem de dois gols. O dia seguinte foi repleto de gozações de torcedores rivais ao time e, principalmente, ao treinador tricolor Renato Gaúcho.

O motivo de tanta gozação foi o excesso de confiança e a tagarelice de Gaúcho no intervalo de tempo entre o primeiro jogo - em que o time saiu derrotado por 4×2 - e o jogo decisivo. O técnico até justificou seus atos, perguntando ao público algo do tipo “vocês queriam que eu dissesse que íamos perder?”.

A resposta é não, mas o treinador confundiu otimismo com excesso de confiança. Ter uma visão otimista das coisas é uma das melhores maneiras de levar a vida, mas nem por um minuto o otimista deve deixar de encarar a realidade dos fatos, sob risco de se descolar muito da realidade. Isso é tão complicado que tem até nome: Paradoxo Stockdale.

O Paradoxo Stockdale

“Mantenha a fé em que você vai vencer no final, independente das dificuldades. E, ao mesmo tempo, enfrente a realidade nua e crua de sua atual situação, seja ela qual for”. Esse é o resumo básico do tal paradoxo, que ganhou esse nome por conta do almirante Jim Stockdale, o militar americano de mais alta patente a viver no campo de prisioneiros na Guerra do Vietnã.

Stockdale ficou oito anos no cativeiro, foi torturado mais de 20 vezes e mesmo assim decidiu manter-se acreditando que iria conseguir sair dali, apesar de todos os sinais contrários. A história completa ele mesmo conta no livro No amor e na Guerra.

Quando perguntado quem não conseguiu resistir às pressões do cativeiro, Stockdale respondeu: os otimistas. Segundo ele, os otimistas acreditavam em coisas como “vamos ser libertados logo após o Natal”, enquanto ele - apesar de ter absoluta fé que sairia dali - encarava a realidade dos fatos e dizia aos outros que ninguém ia conseguir ser libertado até o Natal, provavelmente não também até o Carnaval.

Sim, isso é complicado e contraditório. Por isso mesmo recebe o nome de Paradoxo. Se for entendido, entretanto, pode ajudar bastante a encararmos os desafios do dia-a-dia. Deixo o encerramento para as palavras do próprio Jim Stockdale.

Você nunca deve confundir a fé em que você vai vencer no final - que você nunca pode se dar ao luxo de perder - com a disciplina de enfrentar a realidade nua e crua de sua atual situação, seja ela qual for.

Comentários

#11

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    Cristiano Santos

    Belíssimo artigo Walmar!
    É interessante, mas não é que eu já aplicava essa tese na minha vida e não sabia o nome? Agora já sei!

    É muito bom ler assuntos tão diversificados no seu blog que nos auxiliam em questões técnicas, administrativas, produtivas e até mesmo sociais. Você faz um belíssimo trabalho, sou fã desse blog desde 2006 quando ainda buscava artigos de tecnologia e o FatorW virou sinônimo de referência nas minhas leituras diárias!

    Parabéns mais um vez!
    ;-)

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    Luís

    Óptimo post!
    Meus amigos chamam-se pessimista pela frase que sempre uso: Se alguma coisa pode dar errado, vai dar errado (não me lembro onde lí). Isso não quer dizer que não acredito no sucesso, senão desistia de tentar, mas procuro olhar para todos detalhes, nunca s sabe donde vem o motivo pra dar errado. Chamo.lhe fé pragmática :)

    Obrigado por posts tão interessantes Walmar.
    Abraços de Moçambique

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    Harlley

    Ótimo artigo. Acho que sempre devemos trazer a tal da “Análise de riscos” da gerência de projetos para a nossa vida pessoal.

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    Eduardo Marques

    Perfeito.

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    Roberto

    Bom Dia

    Walmar

    Tudo bem?

    Parabéns pelo Blog muito interessante o Visual, se tiver uma oportunidade gostaria de fazer uma parceria de troca de links.

    Aproveitei e assinei o seu Feed RSS.

    Um Abraço

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    Alex Camillo

    Walmar,

    Acompanho seu blog há algum tempo. O treinador mencionado em seu post treina o meu time de coração. Estive no Maracanã na última quarta feira e confesso que ainda estou destruído pela derrota. Acho que o Renato fala demais muitas vezes, acho que ele joga pra torcida, faz muito marketing pessoal. Quanto ao paradoxo, como você mesmo disse é bem complicado, até por que eu me considero um otimista, porém uma das minhas qualidades é a humildade, palavra que passa bem longe do dicionário do Renato Gaúcho!

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    Marcelo Bloc

    É a pura verdade. Confesso que não torci como deveria pelo Flu justamente por não aguentar mais a empáfia do treinador tricolor. Agora, título perdido, não poderá nem em sonho brincar no Brasileirão, como dissera.

    Além do mais, ele montou muito mal sua equipe nas duas partidas, não anulando o que é praticamente a única jogada perigosa da Liga, as ações pelos flancos, com Gueron pela direita e Bolaños pela esquerda. Enfim, por essas e outras, o título acabou em boas mãos.

    ps: pênalti só é loteria na desculpa de quem perde.

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    Capa

    O que eu posso dizer…kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    Ditão

    O único paradoxo que existe na cabeça do senhor Renato Gaucho é se ele é o mais lindo lindão ou se ele é mais eficiente e talentoso. Nunca vi nnguem, no mundo do futebol, ser tão falastrão quanto esse cidadão.
    Num esporte como o futebol o excesso de otimismo é meio caminho para a derrota. Sempre que um time brasileiro está disputando a Libertadores eu torço a favor(com exceção do Corinthians), mas dessa vez não consegui torcer pelo Flu por antipatia à seu técnico.

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    Alessandro

    É importante não confundir otimismo e coragem com arrogância. Todo mundo gosta de ver um arrogante perder. É assim nos filmes e na vida real! Dalhe LDU!

    The optimist sees opportunity in every danger; the pessimist sees danger in every opportunity.” — Winston Churchill

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    Thássius V'

    É difícil o exercício de ser otimista, sem deixar de ser realista.

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Sobre

Walmar Andrade, 26 anos, jornalista com MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital, é diretor executivo da Wenetus Interactive e escreve neste blog sobre:

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