Por que as escolas não nos ensinam o que deveriam

Publicado em 3.10.2008 na categoria Empreendedorismo

Ontem estava relembrando os tempos de colégio e, a partir de certo ponto, fiquei me perguntando por que diabos eu aprendi na escola a saber como se formam os nomes dos compostos químicos mas nunca tive uma aula para entender o motivo de os preços das ações subirem e descerem.

Por que danado me ensinaram fórmulas para calcular a dilatação de um metal ao calor e nunca me falaram como o consumo contínuo de refrigerantes podia acabar com meu estômago? Qual a razão de as aulas de educação física serem apenas futebol ou vôlei e não sobre a importância dos exercícios físicos regularmente?

Se repassarmos com alguma racionalidade o currículo de 90% das escolas vamos ver que passamos anos aprendendo repetidamente os mesmos assuntos e deixamos de lado assuntos importantíssimos como educação financeira, política, nutrição, relacionamentos, práticas esportivas e mesmo utilidades do dia-a-dia.

Lembro que no livro Você está louco! o Ricardo Semler conta a história dele ao observar a deficiência das escolas tradicionais, que o levou a criar uma escola modelo na qual os alunos são acompanhados por um mesmo tutor dos dois aos 17 anos, aprendendo o que tiverem interesse e montando sua própria grade de ensino.

A pergunta é: por que isso é uma exceção e não a regra?

Comentários

#13

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    Kennedy

    Concordo plenamente! O surgimento da educação em massa veio da era industrial, onde os burgueses precisavam de uma instituição que trouxesse os camponeses para as cidades e lhes ensinasse disciplina, hierarquia e rotina; estava pronta a escola. O que eles iriam ensinar pouco importava, ai tivemos esse enchimento de lingüiça, para apenas entreter as mentes traquinas e não torná-las pensantes!

    Falow!

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    Bruno Alves

    Muito pertinente essa sua discussão, Walmar. Esse é um questionamento que sempre fiz e o frustrante é que, depois de todos esses anos, as coisas não mudaram (eu terminei o segundo grau em 1982!); hoje, é meu filho que questiona a estrutura curricular.
    Talvez essa preocupação em abordar os temas que você citou (e tantos outros também relevantes) exista em algumas experiências isoladas por esse país, mas o que poderia causar um grande impacto na educação brasileira seria um planejamento a longo prazo no sentio de implantar uma política de educação sériia e que fosse aplicada de modo ininterrupto.
    O problema é que esistem umas criaturas chamadas “políticos” que, de quatro em quatro anos, querem reinventar a roda em todas as áreas.

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    Luís

    Escolástica em alta. Determinaram-se padrões do que é o mais “importante” e deixou-se de lado grande parte de informação que complementa a que é passada no básico. Por outro lado, há quem recorra ao facto das especializações depois de um certo nível, afirmando que é aí onde são sanados todos esses aspectos das diversas áreas do conhecimento. Esse é um problema super discutido aqui em Moçambique, principalmente pelos professores universitários que notam esses problemas nos estudantes que acabam de entrar.

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    Samuel

    Sempre questionei isso com os meus professores no ano passado (onde terminei o segundo grau) e eles sempre vinham com a mesma ladainha de que aquilo era muito importante, em contrapartida alguns diziam que aquela “merda não servia pra nada mesmo”. As escolas poderiam ter um papel muito importante na criação de um ser humano muito melhor para sociedade, mas não, desperdiçamos um precioso tempo de jovens que ainda estão em formação.

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    Carlos

    Bem observado. E só se dá a devida atenção a esse assunto quando se vê o quanto podia ter sido ensinado numa educação melhor. Ai a vida ensina o que ficou faltando.

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    André HP

    Mande esse post para algum lugar.

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    M. D. Medeiros

    Posso parecer meio “bitolado”, mas creio que não nos ensinam o que deveriam pela necessidade da entrega de um conteúdo enlatado, tanto pela burocracia do sistema de ensino quanto pelo que as “otoridades” desejam pro povo. Quanto mais fácil de comandar-nos, melhor.
    Não sei se alguém acompanhou(eu vi no G1) o caso de dois meninos que foram tirados da escola pelo pai para educá-los em casa. Deu o maior rebu, os pais foram processados e no final das contas elaboraram um teste para eles, no qual caiu, dentre outras coisas, teatro japonês(?). Agora perguntem-se o que caiu no ENEM, que demonstra o quanto o ensino vem melhorando: até jogo da velha caiu na prova de 2008.
    Escola, para a maioria dos brasileiros, é praxe. Só é necessária, a meu ver, por ser pré-requisito para freqüentar uma universidade.

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    Débora

    Ou o Kenedy escreveu uma contradição ou foi irônico e eu não percebi…rs…

    Enfim, o debate do currículo escolar é um direito de todos, mas as instituições de ensino não são tão apáticas e fora da realidade como pensamos.

    Há um discurso que a escola e a universidade são desconectadas com o mercado de trabalho e devemos ter cuidado com ele. Como estamos em um país pobre, onde muitas pessoas precisam entrar no mercado de trabalho aos 14 anos (antes de terminar o ensino médio), é comum questionar: por que a escola ocupa o meu tempo me ensinando a pensar se eu só preciso trabalhar?

    O currículo escolar deve lhe dar ferramentas para refletir, ter poder de análise para que você possa tirar suas próprias conclusões e caminhar sozinho.

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    Patricia Müller

    Como não tenho filhos, estou meio por fora das novas metodologias e do currículo escolar dos dias de hoje, então vou me basear no que me foi ensinado (embora suspeite que a base não tenha mudado tanto assim).

    Na minha opinião, a metodologia mais promissora é aquela que explora as potencialidades e talentos naturais de cada indivíduo. Parece que tem uma metodologia que segue esta linha, mas não me lembro o nome. De qualquer forma, eu concordo plenamente com tua opinião. Passamos anos decorando coisas que têm pouca relevância se comparadas às reais habilidades que a vida nos exige.

    Uma combinação de uma grade curricular que ensinasse estas coisas com uma metodologia que estimulasse as potencialidades e talentos individuais seria o melhor modelo na minha visão. Obrigar pessoas com inclinações em determinadas áreas a ficas por ANOS estudando coisas que não lhe interessam e para as quais não têm nenhuma habilidade, é uma agressão e uma perda de tempo. Obrigar uma pessoa com um talento extraordinário para escrita a ficar anos estudando química orgânica, ou um atleta nato a ficar fazendo contas é um desperdício.

    Isso me lembra daquela história dos 7 tipos de inteligência. (http://en.wikipedia.org/wiki/Theory_of_multiple_intelligences)

    ps: com relação a tirar crianças da escola para se educar em casa, nos EUA é muito comum o “home schooling”. Super normal. Cabecinha curta essa do brasileiro, pelo amor de Deus!

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    Gustavo Periard

    Finalmente alguém que escreveu o que eu pensei!! rs
    Tá ae uma coisa que tão cedo não mudará… educação nunca foi prioridade por aqui… =/

    Mas torcemos para que tudo mude um dia!!

    Um abraço ae!!! ;)

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    Lucho

    Eu penso a mesma coisa que você.

    Creio eu que o principal responsável pelo que você escreveu chama-se vestibular.

    Por causa dos vestibulares, as escolas acabam “se adaptando” ao conteúdo que é exigido pela prova. Por isso que é ensinada tantas coisas com pouca relevância, como decorar várias fórmulas da física, química e matemática, decorar vários nomes esquisitos da biologia. Ao passo que coisas mais importantes para a vida pessoal, como finanças, política, primeiros-socorros, nutrição, práticas esportivas e outras, “por não caírem no vestibular”, são relegadas a segundo plano.

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Sobre

Walmar Andrade, 26 anos, jornalista com MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital, é diretor executivo da Wenetus Interactive e escreve neste blog sobre:

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