Naufrágio
Publicado em 8.03.2007 na categoria Contos

Sentado em uma rocha no Porto de Paranaguá, Alejandro Quezada fita o horizonte e observa o oceano pegando fogo. Diante dos olhos inundados do velho marujo, o embate entre chamas e água consumia seu lar, seus amigos, suas lembranças.
Fora apresentado ao Vicuña ainda menino em Valparaíso. Com ele, conheceu quatro continentes, dezessete países e um número infinito de pessoas que sempre se resumia aos vinte companheiros de convés.
Agora, a embarcação soçobrava em meio a ilhas de fogo nascidas da explosão de litros de metanol. As labaredas alimentadas por uma imensa mancha de óleo derrotavam o mar, então já sem forças para sustentar o velho companheiro.
Alejandro decidiu não perder a derradeira viagem do cargueiro. Atirou-se no incêndio e fez questão de morrer afogado.











bonito, pena que é curto.