Fruto da distração
Publicado em 7.03.2007 na categoria Contos

Abaixei os olhos. Sorri com modéstia. Minha mãe acabara de anunciar, pela enésima vez, que só havia me dado à luz por descobrir tarde demais a gravidez.
Com um sorriso de carinho no rosto, sempre dizia isso antes de tirar fora a barriga pega com os cavaleiros andantes da região. Pelo menos duas vezes ao ano, procurava as curandeiras ao sentir os primeiros enjôos.
Desta feita, no entanto, a feiticeira chegou para mim com cara de sombra e avisou que o bebê havia levado junto minha mãe. Dei de ombros. Quem nasceu por uma distração não vê na morte grande funestação.










