Bela Bela

Publicado em 8.03.2007 na categoria Contos

Isabela tinha somente sete anos de nascida, mas já possuía na língua malícias de mulher feita. Menina outono, subtraía do calendário folhas que sempre caíam no primeiro dia de abril.

Usava apenas a primeira metade do nome para se apresentar. O restante deixava como adjetivo para conquistar. Isa cresceu assim, cultivando ódios sinceros através de amores fingidos.

A cada estação, a bela fornecia biscoito de pão-de-ló em uma freguesia diferente. Namorou Estácio, Rocha, Misael, o General Pedra, Aninha, Ramos, Humbert Humbert, César, outra vez o Estácio, Zé Leiteiro, Esaú e Jacó. Estes últimos, simultaneamente.

Certo equinócio, Isa avistou Rodolfo Augusto. Puxou o espelho para retocar o adultério, lustrou o nariz de madeira e ocultou sob esmalte rubro as unhas repletas de manchas brancas surgidas de seu passado negro.

Pela primeira vez, no entanto, tornou-se agente da passiva em uma oração de conquista. Fitando o desejado, a bela inspirou fundo para declarar seu inédito amor sincero. Sua boca, contudo, não sabia pronunciar verdades.

Comente



Tags

Sobre

Walmar Andrade, 26 anos, jornalista com MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital, é diretor executivo da Wenetus Interactive e escreve neste blog sobre:

Últimos comentários

  • Gian Carlos: Legal a resenha Walmar. Também comecei a pesquisar sobre a vida do Steve Jobs, em...
  • Diogo Corrêa: É muito uma questão de feeling também. Tem aqueles que não conseguem se...
  • Maysa: Adorei a dica… acredito que vá dominuir as dores, assim que se acustumar a...
  • Renato Martins: Muito bacana essa visão! Já faço isso para o controle das minhas finanças...
  • Allan Torres: É isso ai, estou escrevendo um livro sobre esse tema, gerencia de tempo, sou...

Copyright © 2008 Walmar Andrade - Todos os direitos reservados | Como utilizar o conteúdo | Mapa do Site | Política de Acessibilidade