O perfeccionismo, a Sagrada Família e a noção de tempo
Dia desses visitei aqui em Barcelona o Templo da Sagrada Família. Trata-se de uma obra megalomaníaca iniciada em 1882 (cem anos antes de eu nascer) e ainda sem data para terminar. Além de admirar a arquitetura da obra, ao visitá-la comecei a pensar bastante sobre os impactos do perfeccionismo e sobre a nossa própria noção de tempo.
Um ano depois de iniciada, a obra passou para as mãos do arquiteto Antônio Gaudi, que decidiu transformá-la em sua obra-prima e no máximo expoente da arquitetura modernista de Barcelona. Futuramente farei um post só sobre Gaudi, por enquanto basta apenas saber que o cara está presente em praticamente todo canto de Barcelona e que construiu prédios geniais através de uma intensa observação de como a natureza resolve problemas e esbanja beleza.
É preciso entender que esses 127 anos de construção não significam um período de tempo em que a obra está parada. Ela está sendo continuamente construída desde 1882. Durante um breve período, foi interrompida e teve algumas partes danificadas por conta da Guerra Civil Espanhola da década de 1930.
O motivo é que Gaudi encheu de detalhes e significados cada pedacinho da obra, incluindo 18 torres altíssimas que se contorcem, esculturas detalhadas na fachada contando toda a Via-Crucis, sete capelas, um claustro e mais um monte de coisas em 4.500 metros quadrados. A Sagrada Família, mesmo inconclusa, transformou-se em um ponto turístico e foi colocada entre os Patrimônios da Humanidade pela Unesco.
Fala-se muito que todo artista (e eu considero esse tipo de arquitetura uma arte) almeja alcançar a imortalidade através de suas obras. Sei que a noção de tempo no século XIX era bem diferente do imediatismo a que estamos acostumados atualmente, mas acredito que mesmo para aqueles padrões, uma construção de mais de 120 anos é muito. Até que ponto esse perfeccionismo e essa grandiosidade são válidos?











Realmente uma obra admirável e extremamente linda. Muito tempo apenas para uma construção, mas se sair tão bem quanto ele imaginava, acho que a humanidade poderá esperar mais algumas décadas pela finalização.