A relação entre tipos de liderança e sucesso empresarial
Publicado em 5.06.2008 na categoria Empreendedorismo
O assunto liderança é um dos mais importantes quando se analisa o sucesso ou não de um empreendimento. Infelizmente, justamente por ser tão importante, escreve-se muita besteira sobre o assunto, deixando de lado conceitos de administração para dar lugar ao que chamo de “iuhús motivacionais”.
Do meu ponto de vista - formado a partir do que já estudei sobre o assunto - existem dois extremos de liderança: aquela em que o líder preocupa-se sobretudo com a missão empresa, buscando para isso formar uma equipe excelente, e aquela em que o ego do líder fala mais alto, um modelo batizado por Jim Collins de “um gênio com mil auxiliares”.
O segundo caso é fácil de exemplificar e vou usar o exemplo de Steve Jobs como referência. Para identificar se o modelo de liderança é deste segundo tipo, basta tentar imaginar como será o futuro da empresa quando esse líder morrer ou se aposentar. Se é algo difícil de se imaginar, então provavelmente estamos no segundo caso.
Embora seja mais procurado esse perfil de líder egocêntrico, que toma para si todas as responsabilidades e praticamente move a empresa com sua genialidade, acredito que o segundo modelo é uma garantia maior de sucesso ao longo prazo.
Liderando uma equipe
O tipo de líder que não aparece para o grande público, que forma uma equipe de excelência e exige alto padrão de qualidade - preocupando-se com a missão da empresa inclusive quando ele não estiver mais lá - é o que mais me agrada. Não que eu tenha algo contra auto-promoção, mas um indivíduo que coloca a empresa acima de si mesmo me parece estar mais talhado para o papel de líder.
Uma das grandes vantagens desse tipo de liderança é a formação de uma equipe de alta qualidade. Aqui serão procurados profissionais tão capazes ou mesmo mais capazes que o executivo principal, que mesmo sabendo disso não deixa de contratar por conta da possibilidade de ser ofuscado.
O modelo do gênio com mil assistentes também funciona, porém o fator risco é muito alto porque a empresa fica dependendo de apenas uma pessoa. E se ela bate o carro e morre num fim de semana qualquer?
O mais interessante disso tudo é que pesquisas científicas mostram que, baseados nos preços das ações durante longos períodos de tempo, os líderes que não aparecem tanto, que formam equipes e que vêm de dentro da própria empresa conseguem resultados muito superiores em relação aos líderes super-estrelas. Os dados podem ser encontrados em abundância no primeiro capítulo do livro Empresas Feitas para Vencer.






Walmar, primeiramente obrigado pela visita ao Almanaque do Bem!
Pegou a “casa” meio desarrumada, pois estou mudando de tema sem parar de publicar.
Muito bom este texto sobre liderença, ao qual me identifiquei bastante. Vou acrescentar uma questão, vivida na pele: O líder que não aparece para o público e tem bons resultados e se compromete com futuro da empresa e dos colaboradores, as vezes, por este mesmo motivo, incomoda ou é descartado.
Foi exatamente o que vivi em meu último emprego, numa grande empresa. Deixe um ótimo legado humano e produtivo, porém não foi o tipo de liderança do perfil que a gerência superior acreditava.
Enfim, ótimo texto.
Gostaria de acrescentar teu blog ao meu blogroll, posso?
Abs,
Estou lendo o líder 360º de John C. Maxwell e há uma parte muito interessante que ele fala sobre a ilusão de que para ser líder é preciso um cargo. Uma das caracteristicas mais admiraveis dos lideres ao meu ver é formar lideranças na própria equipe. Para que assim, a equipe faça o que lider julga ser o correto, sem ter que forçá-los a fazer… Sem imposição, o que muitas vezes acontece em funçaõ do status e do brilho do líder.
O que o Steve Jobs disser é lei… Quem irá questioná-lo?
Belo post, não só o post como o blog… Já acompanho faz um tempo e espero oportunizar mais trocas de opiniões.
Abraço
apenas complementando… Muitos gerentes e diretores podem perder a influência sobre seus colaboradores se destituidos de seus cargos. Há pessoas na equipe, que mesmo que sejam destituídas ou realocadas podem continuar gerando influência positiva sem nunca terem exercido um cargo na gestão….
Olá,
Acredito que o assunto liderança é algo bem mais complexo do que o que foi citado neste POST. Este assunto requer muita atenção e cautela, acredito que não existem apenas dois extremos de liderança mas sim, infinitos tipos de líderes que se baseiam em fatos conquistados e características pessoais.
Estou lendo o livro “O monge e o executivo”, o qual detalha muito bem o assunto liderança, recomendo e acredito que após sua leitura irá ter mais pontos de vista em relação ao assunto liderança.
Segundo o autor, liderança é “a capacidade que uma pessoa tem de exercer influência sobre um grupo de pessoas em função da realização de alguma atividade”. Muitas vezes, os lideres tomam atitudes baseadas em seu poder, e não em sua autoridade.
O líder deve ter capacidade de ouvir, buscar entender e satisfazer a necessidade do grupo ou de outra pessoa até mesmo antes das suas necessidades, criando um laço de confiança, motivação e respeito na empresa. Assim, ele exercerá autoridade em vez de poder quando alguma coisa precisa ser mudada. O poder é algo que coage as pessoas e então elas fazem não por prazer mas sim, por medo de perderem o emprego, cargo… etc.
Um grande abraço.
Também acredito que há vários outros “extremos” de liderança. Os citados no post são apenas extremos dos extremos.
O monge e o executivo conta bem o exemplo do lider servidor. Mas esse estilo não é lá o mais adequado para todas as situações. O estilo escolhido depende muito dos liderados também.
Ano passado li sobre os vários tipos de liderança em “O poder da inteligência emocional”. Não que eu acredite que um estilo deve ser seguido, mas que esses estilos servem para classificação.
Walmar, obrigado pela visita ao meu blog. Acredito que liderança não se força e sim conquista. Liderar é aperfeiçoar-se, liderar é mudar atitudes, liderar é investir em seu desenvolvimento, na verdade não somente no seu, mas de toda sua equipe. Um gerente de projetos, por exemplo, não apenas gerencia o projeto em si, mas gerencia uma equipe de designers e desenvolvedores. Infelizmente nessa área existem empresas que não investem em seus funcionários. Ditam regras, criam avaliações que nem sempre funcionam, mas insistem em usá-las como parâmetros. Esse assunto também daria um ótimo post!!