A experiência de ter um contador da morte na esquina de casa
Publicado em 12.05.2008 na categoria Novidades
Há cerca de duas semanas quando estava saindo de casa tive e surpresa de me deparar com um relógio contador da morte quase aqui na esquina de casa. Eram 11 mortos naquele dia, uns 300 no mês e mais de 1.500 assassinatos no ano de 2008 somente aqui no estado de Pernambuco.
O relógio é uma iniciativa do blog PE Body Count, que, inspirado no Iraq Body Count, começou a contar os homicídios aqui em Pernambuco como forma de protesto e pressão para que o governo e a sociedade se mobilizem para deixar de achar normal um estado ter mais de 10 assassinatos por dia.
A idéia do contador gigante no meio da rua é levar essas estatísticas para conhecimento de mais pessoas, já que muita gente não tem acesso à internet e não conhece o blog. Obviamente que a idéia chamou a atenção e a iniciativa foi noticiada na imprensa local, nacional e internacional.
Mas qual é a experiência de ter um contador da morte na esquina da sua casa?
A questão do foco
Eu acho a iniciativa do grupo muito interessante e é louvável que alguém voluntariamente comece a fazer algo para tentar diminuir os índices de violência em Pernambuco (que, ao contrário de outros estado como o Rio de Janeiro, não é majoritariamente decorrente de crime organizado).
O que me incomoda é que tanto o blog quanto os debates que se formam por conta de suas iniciativas discutem basicamente a violência, as formas de lutar contra a violência, como diminuir a quantidade de mortes, assassinatos, homicídios. Em outras palavras, fala-se muito sobre violência e pouco sobre paz. Está se focando no que não queremos e deixando de dar atenção ao que realmente queremos.
Para mim o foco deveria ser o oposto: discutir maneiras de aumentar a paz no estado. Procurar e divulgar iniciativas que deram certo. Formam grupos voluntários de pessoas físicas e jurídicas que promovam ações para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar da sociedade.
Existe um famoso pensamento de Madre Teresa de Calcutá, Prêmio Nobel da Paz de 1979, que dizia que não a chamassem para nenhuma passeata contra a violência que ela não iria. Mas que ela teria o maior prazer em participar de uma passeata a favor da paz.
Acho que vou criar o PE Life Count.





Tem a versão do Rio de Janeiro, criado pelo autor dos Malvados André Dahmer: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Body_Count
Pena que saiu fora do ar :(
E o que seria o PE Life Count? Um contador de quantas pessoas sobreviveram a assaltos a mão armada, tentativas de estupro, atropelamentos, sequestros relâmpagos…?
Investir conta a violência dá mais votos. Criar uma sociedade pacífica demora mais que 4 anos para gerar resultados, então fica inviável para alguns ocupantes daqueles cargos rotatórios a que chamamos de governo.
Quando vamos perceber que o solução para a violência depende de nós, os que estão do lado de cá do poder? Será que a gente é tão cego assim ou o comodismo fala mais alto?
Abraço
Concordo com você e a Madre Teresa, focar no resultado almejado é a saída para solucionar problemas.
Sinceramente, eu não gostaria de um contador deste por perto, mesmo que seja uma forma da sociedade mostrar sua indiguinação e gritar pro mundo que ninguém faz nada.
Abraço,