Pane no sistema
Publicado em 17.05.2007 na categoria Contos
Certo dia, ao acordar, percebi que alguém havia me desconfigurado. Meus olhos de robô foram substituídos pela mais redentora visão de um Salvador Dali embriagado. Naquelas vinte e quatro horas, pude viver sob impulsos, liberto da autocrítica inibitória imposta pelas amarras da hipocrisia social.
E como rasguei o livro de ponto, atirei o celular na lagoa do pomar onde fui comer jabuticabas, disse sem ressalvas para Irene dar fim àquele buço horrendo, publiquei todas as censuras em manchete de duas linhas e letras garrafais.
Satisfiz ainda as vontades do inconsciente coletivo. Acabei com as operadoras de telemarketing, proibi a livre execução monofônica de Pour Elise, tornei os infinitivos inflexíveis e condenei à prisão perpétua tagarelas de todas as platéias.
Os funcionários públicos apressaram-se em tachar-me de exasperado, pitoresco, desatinado. A falta de parafusos e fluidos causou estranheza à repartição. O senhor diretor mandou reinstalar o sistema e, como na mais perfeita narrativa kafkiana, voltei a ser inseto.





Nossa, fiquei confuso agora kkkkk
Heh! Doidera!
Gêêêêêênio!
hehehehehe
Muito bom!
“(…) na mais perfeita narrativa kafkiana” bravo! bravo!
*como é mesmo a onomatopéia de palmas?
Muito bom mesmo… Parabéns!
Meu velho, muito bom! :D
O bixo é brutal mesmo com as palavras!!! HEhaE!
Parabéns aew!
Abração!
hahahahhahahaha
adorei!
Só agora me dei conta de que esse texto veio do seu e-book Webcontos. Li tudo de uma sentada só, aliás, nem pisquei. Menos de 10 minutos de leitura.