Quando a publicidade prejudica a usabilidade
Publicado em 16.03.2007 na categoria Usabilidade
Publicidade é quase que por definição algo intrusivo e pouco desejado. Podemos tomá-la como um mal necessário que interrompe nossos programas de TV e de rádio, que aparece no meio de um filme ou que polui as páginas de um blog.
Na internet, antes restritas a tripas de imagens conhecidas como banners, a publicidade evoluiu para a forma de propaganda contextual, cujo formato mais conhecido é o AdSense do Google.
Blogueiros e administradores de sites viram nisso uma boa possibilidade de receitas e começam a explorar formas alternativas de faturar com esse tipo de publicidade.
Acontece que recentemente o uso desenfreado desse tipo de publicidade tem sido tão grande que já começa a prejudicar a usabilidade dos sites.
Equilíbrio
Não defendo a exclusão de publicidade de nenhum site, até por ser a principal fonte de renda da maioria. O problema é o desequilíbrio.
O exemplo mais claro que me vem à mente é o da publicidade disfarçada de link. Tomemos como exemplo o Blogue do Janio, do Janio Sarmento, um dos probloggers nacionais.
Em um texto típico do Jânio, o usuário tem que adivinhar o que são links de verdade e o que é publicidade disfarçada de link. Como os titles não ajudam, o usuário tem que se acostumar com os códigos (links pontilhados e marcados com alguns ícones são publicidade).
Ocorre que como não há um padrão o usuário não tem como saber à primeira vista, e acaba sendo “enganado” a clicar em algo pensando que era um link e na verdade é uma publicidade.
Ética
O Blogue do Janio é só um exemplo, muitos blogueiros têm recorrido a esse tipo de expediente.
Talvez seja questão de pensar um pouco na ética de “enganar” tanto os usuários quanto os anunciantes, já que esses pagam por clique e acabam dando dinheiro a usuário que na verdade não se interessaram por nenhum tipo de publicidade, apenas clicaram inadvertidamente no que pensavam ser um link.
A reflexão é válida, até pela sustentação do modelo (se os anunciantes vêem que esses cliques pelos quais estão pagando não estão dando retorno, tendem a deixar de investir nisso).
De outra forma, estamos saindo do modelo de desenvolvimento centrado no usuário para o de desenvolvimento centrado no faturamento. Não dá para encontrar um ponto de equilíbrio?
Se há alguma coisa que deve ser respeitada em blogs é justamente o texto. E encher o texto de links para anúncios é uma prática que deve ser evitada, justamente por confundir e “enganar” o usuário. Anúncios entre os parágrafos, como ocorre no Usabilidoido, por exemplo, são aceitáveis. Agora, mascará-los junto ao texto é uma prática que eu não exerceria.
Adsense, Buscapé, Mercado Livre são todas formas bacanas e válidas de monetização. Mas sabe de uma coisa, vou colocar em imagens a diferença entre publicidade de clientes diretos, em banners e publicidade de afiliados.
1. Na primeira cena, é como se você entrasse naquele mercadão livre no centro da sua cidade. Você vai até a loja daquele turco maluco que vende os melhores damascos que você já comeu na vida. Chegar lá é um inferno, você passa por mil e uma lojas fedorentas, a multidão fica trombando e o sol é escaldante. Mas tudo, ou quase tudo, compensa no final.
Esse é o típico blog com bom conteúdo. No meio de trocentos links e anúncios, há algo que vale a pena buscar. Isso, enquanto não surgir uma loja arrumadinha que tenha os tais damascos mais gostosos do mundo.
2. Na segunda cena, você entra em um site ou blog e tudo parece estar no lugar. A sensação é boa, como se estivéssemos dentro de uma loja de grife. Somos bem atendidos e o produto também é de qualidade.
O que quero dizer com esse comentário bizarro feito em plena madrugada? Simples, está cada vez mais difícil fazer concorrência com o turco do mercadão. Montar outro blog entupido de links monetizados é um caminho difícil e que segue uma tendência cada vez mais saturada - o que não quer dizer que deixou de ser lucrativa.
Pessoalmente, não suporto quando entro para ler um texto e vejo aquelas figuras mal-recortadas do Mercado Livre e trocentos links mesclados com o artigo. Me sinto pressionado, a sensação não é boa. É como aqueles vendedores chatos que não saem da sua cola. Argh!
Cada um com seus lucros e suas estratégias.
Mas vale lembrar que empresas tradicionais não vão procurar seu site se ele for um cabide de Adsense. E sabe o que as empresas tradicionais querem fazer na internet? Gastar.
Guilherme
http://www.papodehomem.com.br
Quem quer viver dos blogs, tem que ser agressivo e isso tá mais que provado.
Talvez, os lucros um dia sejam bons, quando os anúncios forem mais contextualizados aqui pelo Brasil. Aí as coisas vão mudar.
Não sei por que motivo só agora eu vi esse seu artigo. Ia até escrever um artigo respondendo, mas acho que é mais justo escrever aqui, até para não te obrigar a ler meus textos cheios de links.
Não sei como você acessa meu blog, mas há três tipos de links nele: os links que levam para outros lugares “comuns”; os links para comparação de preço; e os links para busca no Mercado Livre. Cada um tem suas características, e o usuário que visita meu site pela segunda vez já conhece o código.
De qualquer forma, se você também prestar atenção, verá que os links estão cada vez menos presentes, e até mesmo a otimização de forma x AdSense que havia antes deu lugar a um blog mais agradável visualmente.
É que eu faço acompanhamentos e medições. É parte do meu trabalho (ser problogger não é apenas ganhar wire-transfers do Google). Não há razão para um link estar lá se não for para me trazer retorno financeiro. Logo, eu tenho que saber o que rende ou não, e o que não rende some, simples assim.
Da mesma forma, estou preparando um recurso “generalizado”, baseado em microformatos, para desabilitar os links patrocinados (e toda a publicidade, de maneira geral) ao clique em um botão, como antigamente eu permitia desativar os banners no outro template.
Afinal, sabemos que visitantes freqüentes ficam cegos à publicidade, logo não há razão para eu mantê-la a seu contragosto.
Obrigado pelo link, pela lembrança, e pelo espaço para responder. :-)
Ah! Faltou dizer antes: os anunciantes, no caso dos meus links, pagam comissão por vendas (no caso do ML) ou por visita no site das lojas, e não pela visita no comparador de preços, no caso do JáCotei. Logo, não estou sendo anti-ético ao levar um usuário para um destes dois sites.
Quem paga meramente por cliques são os anunciantes do AdWords/AdSense, mas esses são intermediados pelo Google, e eu não tenho muito controle sobre como esses anúncios serão veiculados no meu site.
Mas isso você já sabia, né? :-)
Janio,
Eu entendo todos os argumentos e necessidades do blogueiro. O artigo fala sobre usabilidade, ou seja, enxergar as coisas sobre o ponto de vista do usuário.
Um banner ou mesmo um anúncio do Google AdSense para a maioria das pessoas está claro que é um anúncio. Um link comum no meio do texto, não.
Na minha opinião, é necessário buscar um maior equilíbrio entre as necessidades de faturamento do blogueiro e a facilidade de uso por parte dos visitantes.
E realmente o artigo foi escrito quando você ainda usava o tema ProBlogger Clean.
Você foi muito infeliz no seu projeto de artigo, sobre
a publicidade.
Pelo visto você não entende nada de nada e muito menos sabe o que é publicidade.