MUF #05: Calculando o prazo do freela

Publicado em 25.07.2006 na categoria Gerenciamento

Ainda estamos em março de 2006 e o projeto de construção do site do Café Colombo não chegou ainda na finalização da proposta. O caminho, entretanto, já está praticamente trilhado: já sabemos o que o possível cliente imagina, o que vamos oferecer e como vamos fazer tudo isso. Só falta saber em quanto tempo conseguiremos executar o projeto e quanto isso vai custar.

Prazo e preço para mim são duas coisas inseparáveis. Sempre que vou calcular o preço de um freela, faço uma projeção de quanto tempo irei gastar nele e multiplico pelo valor da hora de trabalho. Acredito ser uma maneira justa de cobrar e que te dá garantias de que, se o cliente começar a pedir coisas fora do escopo, você vai ficar feliz em vez de aborrecido, já que será preciso mais tempo e, conseqüentemente, você ganhará mais.

A primeira coisa que faço para calcular o prazo de um freela é saber quanto tempo disponível por dia eu terei para o job. No meu caso, trabalho oito horas por dia na empresa e costumo costumava fazer os freelas à noite. O tempo disponível, no caso, corresponde a quatro horas diárias, cinco vezes por semana.

Na verdade eu não trabalho na noite da quarta-feira, pois tenho aula do MBA. Essas quatro horas, então, geralmente são transferidas para a manhã do domingo. Tenho a sorte de morar bem perto da empresa (não perco grande tempo com deslocamento) e de aproveitar as duas horas de almoço para ir à academia (passar o dia na frente do computador não é algo muito salutar).

Com essas contas simples, sei que teria disponível 20 horas semanais para o projeto do Café Colombo. Peguei então as funcionalidades que seriam propostas para o projeto e estimei em quanto tempo eu seria capaz de executá-las.

Projetando o tempo a ser gasto

Não tenho uma fórmula para fazer essas projeções, é tudo baseado na experiência anterior e no feeling. Se alguém conhecer uma boa fórmula, favor postas nos comentários. Uma coisa que costuma ajudar é pegar as macroetapas da metodologia a ser utilizada e fazer as projeções para cada uma delas.

Por exemplo, o diagnóstico é algo simples de ser realizado, então reservei uma semana e meia. Já o prognóstico é a maior fase e para ele projetei 40 dias. A produção, nessa metodologia, é somente cuspir códigos. Um mês acreditei que era suficiente. Coloquei mais 10 dias de sobra para eventuais ajustes e atrasos e cheguei a um prazo de 12 semanas para a execução.

Com a estimativa de prazo, calcular o preço foi fácil. Foi somente pegar o valor da hora de trabalho e multiplicar por 240 horas. O valor da hora de trabalho que cobrei e como cheguei a esse número são os assuntos do próximo capítulo. Até lá!

Comentários

#2

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    Fernando Gonzaga

    Bom, as grandes empresas estão adotando as medidas de esforço (tempo) por APF (Análise de ponto de função).

    Esta maldita APF está sendo amplamente estudada por quem desenvolve e por quem consome tecnologia, principalmente no alto nível da coisa. Assim, aquele que orça poderá ser questionado por aquele que “consome”, e aquele que “consome” não pode questionar o valor do trabalho daquele que “orça”.

    Participei de alguns projetos baseados em APF e, geralmente, o esforço medido não é tão diferente do que o “feeling” real (ou seja, quando o projeto termina realmente) contabilizou.

    Por mais que eu torça o nariz sobre este tipo de medida, o mercado está começando a adota-lo.

    Desculpe pelo longo comentário, um abração!

  2. Imagem do autor do comentário
    Ciro Feitosa

    Pontos de função, assim como o Fernando citou, é uma forma de medir complexidade e tempo de produção.

    Mas nem sempre é simples de calcular, vai depender muito do seu histórico de projetos pra ter noção de quanto tempo você leva pra produzir uma etapa com ponto de função X por exemplo.

    De toda forma, na maioria das vezes, faço da forma que você citou neste artigo.

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Walmar Andrade, 26 anos, jornalista com MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital, é diretor executivo da Wenetus Interactive e escreve neste blog sobre:

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