A morte do clique aqui

Publicado em 15.12.2005 na categoria Usabilidade

A frase mais comum de se ver em sites internet afora é a famigerada clique aqui. Imperativa, ela dá uma ordem ao usuário e muita vez compete com um sem-número de irmãs clique aqui em uma mesma página, deixando o usuário cheio de ordens e com pouco conteúdo.

Já está mais do que na hora de os desenvolvedores que o clique aqui é, na grande maioria dos casos, totalmente dispensável. O link deve chamar o clique por si só, primeiro tendo cara de link, segundo sendo algo interessante para o usuário clicar.

O banimento do clique aqui é mais simples do que parece. Em vez de “clique aqui para contratar meus serviços”, basta colocar o link em “contrate meus serviços”. Simples e direto. Claro que, se o link for da mesma cor do texto e não tiver nenhum adereço (sublinhado, por exemplo), as chances de o usuário descobrir que ali há um link são bastante remotas.

Por definição, link com cara de link é azul e sublinhado quando não visitado e roxo e sublinhado depois de visitado. Este é o padrão e uma grande garantia para o usuário saber que ali está um elo para outra página.

Especialistas como Jakob Nielsen recomendam que os links tenham sempre essa aparência. Eu, apesar de assim usá-los neste site, acho exagero. Nem sempre o azul é adequado ao esquema de cores do site. A cor pode mudar, mas é necessário que o usuário possa diferenciar facilmente o que é um link naquela página. E, muito importante, a coerência deve ser mantida em todas as páginas de um site.

quem clica é mouse

Outro problema do clique aqui é que ele refere-se tão somente ao mouse e dispositivos semelhantes, como trackball.

Responda rápido: como um usuário que navega pela tecla tab do teclado vai clicar em um link? E quem está navegando com um PDA? Ou com um celular? Pense também nos deficientes. Cego não usa mouse, como ele vai clicar em algo?

É fácil perceber que, dependendo do dispositivo de entrada, o usuário não clica. O termo é incorreto. Ele aperta, dá enter, usa “tap”, mas não clica. Logo, o clique aqui deve ter sua morte decretada.

Comentários

#2

  1. Imagem do autor do comentário
    Daniela

    nossa, eu nunca tinha pensado que tem gente que não clica simplismente pq nao tem mouse! Muito bom esse texto, mas ninguem segue a recomendacao né? clique aqui para saber mais é o que mais tem por aí..

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Walmar Andrade, 26 anos, jornalista com MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital, é diretor executivo da Wenetus Interactive e escreve neste blog sobre:

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